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Postado em 5 de abril de 2021

Amoris Laetitia: uma breve introdução ao documento

Amoris Laetitia: uma breve introdução ao documento

Caros amigos leitores, o intuito deste breve artigo é o de provocar em vocês a curiosidade em conhecer, refletir e rezar a belíssima Encíclica Post-sinodal Amoris Laetitia, sobre a alegria do amor familiar de Papa Francisco. O contexto é bastante propício: estamos em meio ao ano “Família Amoris Laetitia”, convocado pelo papa para comemorar os cinco anos do nascimento deste importantíssimo documento. Aos coordenadores de comunidade e grupos de reflexão, párocos, religiosos e religiosas e bispos, este é um tempo especial para fazer conhecer o texto e impulsionar o crescimento da consciência de que a identidade da família é a “alegria do amor”.

História do documento

A encíclica papal post-sinodal de título Amoris Laetitia, que em português significa A Alegria do Amor, é a segunda encíclica escrita pelo papa Francisco, antecedida por Gaudete et Exultate (Alegrem-se e exultem). Embora o texto tenha sido publicado somente no dia 08 de abril de 2016, ele foi aprovado e assinado no dia 19 de março, solenidade de São José.

Como é próprio à dinâmica sinodal, na referida encíclica Papa Francisco recolhe e reflete sobre os contributos recebidos nas duas fases do Sínodo pelas famílias, realizadas em 2014 (extraordinário) e 2015 (ordinário). O uso de duas fases sinodais tem se firmado como a metodologia usada por Francisco em seu papado.

Como vimos se repetir nos dois sínodos posteriores (sobre a juventude e sobre a região pan-amazônica), na primeira fase se busca compreender os problemas, levantar dados e ouvir a maior gama de estratos da Igreja possíveis. Já no segundo momento sinodal, as informações recolhidas e apresentadas, posteriormente estudas e aprofundadas no período inter-fases, fomentam propostas a serem apresentadas ao papa como inspiração para o seu documento.

A fase extraordinária do sínodo que antecedeu o documento teve como tema “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”; já a fase ordinária foi inspirada pelo tema “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”.

Estrutura interna

O documento vem dividido em nove capítulos subdivididos em um total de 41 subtítulos, além da introdução e da conclusão:

Introdução

1. À luz da Palavra;

2. A realidade e os desafios das famílias;

3. O olhar voltado a Jesus: a vocação da família;

4. O amor no matrimônio;

5. O amor que se torna fecundo;

6. Algumas perspectivas pastorais;

7. Reforçar a educação dos filhos;

8. Acompanhar, discernir e integrar a fragilidade;

9. Espiritualidade conjugal e familiar;

Conclusão.

Alguns postos-chaves da introdução do documento

As primeiras palavras de Papa Francisco na introdução são de esperança. Não obstante as diversas mudanças oriundas do contexto cultural atual pelas quais as famílias têm passado, bem como os diversos questionamentos e desafios, se percebe que o desejo de família permanece vivo, principalmente entre os mais jovens. Ou seja, falar de família não é algo ultrapassado como alguns poderiam pensar e, indo mais além no campo da missão da Igreja, acolher e caminhar em família é verdadeiro anúncio da Boa Notícia do Cristo.

Retomando o caminho sinodal pregresso à escrita de Amoris Laetitia, o Papa Francisco reconhece que a complexidade em tratar deste tema em nossos dias, bem como do risco existente de se incorrer em polarizações reducionistas e nocivas: Os debates, que têm lugar nos meios de comunicação ou em publicações e mesmo entre ministros da Igreja, estendem-se desde o desejo desenfreado de mudar tudo sem suficiente reflexão ou fundamentação até à atitude que pretende resolver tudo através da aplicação de normas gerais ou deduzindo conclusões excessivas de algumas reflexões teológicas.1

No terceiro parágrafo da introdução, papa Francisco parece lançar as bases de um dos argumentos que será retomado com grande força nas conclusões e diretivas pastorais para o acompanhamento das famílias: a sensibilidade à particularidade dos casos e a necessidade de inculturação na aplicação dos princípios morais.

Afirma que, embora naturalmente na Igreja deva existir uma necessária unidade entre doutrina e práxis, a particularidade dos casos tantas vezes se impõe pedindo uma verdadeira resposta alicerçada nos princípios gerais, mas profundamente guiada pelo Espírito Santo, que nos conduz à verdade e à unidade no respeito às particularidades e às questões que estas impõem. É possível, assim, buscar soluções mais inculturadas que se mostrem atentas às tradições e desafios da realidade particular.

Finalizando a Introdução, Francisco nos apresenta o caminho programático de sua reflexão: vai às Sagradas Escrituras para delas tomar o “tom” que guiará a reflexão; considerará a situação atual das famílias em suas alegria e dores, para assim manter os pés calcados na terra da realidade; beberá da Tradição da Igreja sobre o matrimônio e a família; ao centro tecerá dois capítulos sobre a beleza do amor; na segunda parte proporá caminhos pastorais e de educação dos filhos para a construção de famílias sólidas e fecundas; dedicará um capítulo para convidar à misericórdia e ao discernimento pastoral das situações especiais; terminará traçando breves linhas de espiritualidade familiar.

Assim, caros, termino aqui minhas palavras de provocação. Acredito que estudar este documento será de profunda riqueza para a nossa formação e para compreender a beleza do amor e da misericórdia como base da vida familiar. Avante, que as palavras de Francisco papa nos ajude a crescer como família de Deus!

Pe. Maikel Pablo Dalbem, CSSR

Teólogo moral e professor na Academia Afonsiana – Roma

1 AL, 2

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